Há exatos 90 anos*, em abril de 1925, tinha início, na Serra do Mar, em Cubatão, a construção da Usina Henry Borden, o mais audacioso e polêmico projeto de geração de energia da extinta Light. A ideia do empreendimento surgiu quando a Light, responsável pelo fornecimento de eletricidade à Capital desde 1900, passou a ter dificuldades para atender a demanda por energia.

 

Vista geral da Usina Henry Borden, de Cubatão. 1948. Foto: acervo da Fundação Energia e Saneamento

 

Além da crescente industrialização paulistana, que exigia cada vez mais eletricidade, a situação agravou-se com o movimento armado de 1924 e a prolongada seca ocorrida no mesmo ano. A crise hídrica levou à redução do fornecimento em cerca de 70%. Dessa forma, a empresa iniciou estudos para a construção de uma nova hidrelétrica nas proximidades de São Paulo.

 

Homens descarregando material para as obras da Usina, no Porto de Santos. 29/5/1935. Foto: acervo da Fundação Energia e Saneamento

 

Contratado pela Light, o engenheiro norte-americano Asa White Kenney Billings, que chegara à Capital em 1922, foi o autor do projeto e executor das obras da Henry Borden, acompanhado de uma equipe que incluía o também americano F. S. Hyde. Ao observar o rio das Pedras, um dos únicos cursos que nasce no planalto paulistano e corre em direção ao mar, Hyde pensou em uma solução simples que, segundo o engenheiro Milton Vargas, pode ser considerada a primeira “grande sacada” da engenharia hidrelétrica brasileira: a reversão do curso dos rios.

 

Homens trabalhando nas obras no alto da Serra do Mar, na colocação do primeiro tubo das linhas adutoras da Usina de Cubatão. 03/5/1926. Foto: acervo da Fundação Energia e Saneamento

 

A ideia era recolher as águas dos rios do planalto, que originalmente seguiam para o interior, alterar o seu curso e conduzi-las para o sopé da Serra, de forma a aproveitar o desnível de 720 metros da região e acionar as turbinas da usina para a geração de energia. Para tal empreendimento, foi concebido o Projeto da Serra, que incluía, além da Usina Henry Borden, um complexo de represas, estações elevatórias, canais, túneis e tubulação adutora. À época, o projeto foi considerado um dos maiores empreendimentos do mundo e, a hidrelétrica, a maior do país. Sua realização garantiria o desenvolvimento do parque industrial de São Paulo pelas quatro décadas seguintes.

 

Colocação de maquinário na primeira unidade geradora da Usina Henry Borden, antes de sua inauguração. 31/7/1926. Foto: acervo da Fundação Energia e Saneamento

 

A Usina de Cubatão – que teve seu nome alterado para Henry Borden em 1964 – foi inaugurada em 10 de outubro de 1926. Sua primeira unidade geradora garantiu um fornecimento inicial de 28 mil kW. Por meio de constantes ampliações que culminariam na instalação de 16 unidades geradoras, o projeto da Usina de Cubatão teve sua potência de geração de energia aumentada até ser finalizado em 1961. Ainda em operação, o complexo Henry Borden adquiriu outras funções ao longo das décadas, como o controle de cheias, e hoje é acionado em ocasiões estratégicas.

 

Casa de Válvulas da Usina, um ano após sua inauguração. Ao fundo, as cidades de São Vicente e Praia Grande. 13/7/1927. Foto: acervo da Fundação Energia e Saneamento

 

Barragem do Rio das Pedras, integrante do complexo do Projeto da Serra. 09/10/1929. Foto: acervo da Fundação Energia e Saneamento

 


*Publicado em abril de 2015.

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