Projetos Literários


Livros Comemorativos – projetos entre 2016 e fevereiro de 2018


Há algum tempo temos elaborado trabalhos literários e históricos. Eles são de cunhos pessoais, corporativos e sociais. São 28 anos dedicados ao estudo da cidade de São Paulo desde a fundação desta empresa. Entre os estudos figura o antigo bairro da Mooca que sempre esteve no caminho dos jesuítas desde que percorreram o Rio Tamanduateí quando chegaram ao Planalto, depois de literalmente escalarem a “terrível” Serra do Mar. A Penha, outros dos mais antigos, já foi parada obrigatória dos pioneiros que seguiam em direção ao Norte e Rio de Janeiro. No trajeto entre o Colégio dos Jesuítas na São Paulo de Piratininga e a pequena igreja de Nossa Senhora da Penha, outros tantos aglomerados humanos surgiriam; dentre eles também nos dedicamos ao estudo do Tatuapé e do Belém. Mas, nosso interesse atinge várias culturas, entre elas a japonesa e a europeia; a Era Medieval, os costumes das tribos indígenas da América do Norte; civilizações da América Central; os povos da Antiguidade – Celtas, Gregos e Egípcios. A História da humanidade, suas origens, aspectos faciais e idiomas, nos fascinam a cada descoberta.

No que tange a São Paulo, elaboramos projetos inéditos dedicados os nossos clientes, a fim de comemorarem datas solenes. No entanto, nestes 28 anos de trabalho, ainda não nos detivéramos à pesquisa focada sobre dois sítios históricos específicos, como nos anos de 2016 e 2017, avançando até fevereiro de 2018. Durante esse tempo nos dedicamos especialmente a contar duas fascinantes trajetórias inseridas na Pauliceia. Elas ocorreram no bairro do Belenzinho há 100 anos. Assim, focamos na vocação de traduzir em palavras as linhas que percorreram silenciosas o espaço de tempo entre 1917 e 2017, reduzidas a esse bairro e outro que nele se insere: a Vila Maria Zélia.

Esta foi uma experiência especial na carreira do jornalista e escritor Gerson Soares, fundador do Alô São Paulo em 1990, que pode vivenciar as paixões, decepções, alegrias e tristezas de gerações. Mas antes de tudo, contar um pouco sobre a industrialização de São Paulo e a diversão que cabia aos operários – não só entre eles – aos finais de semana. Entre as poucas opções que havia, o futebol varzeano proporcionava descontração aos rapazes e alguns dos times formados por eles promoviam festas, bailes e eventos que atraíam a atenção das moças. E desses encontros nasceram famílias que estão unidas até hoje. Convidados para elaborarmos esses valiosos resgates históricos, foram dois anos de trabalho intenso em pesquisas, elaboração, criação e edição de dois volumes ricamente impressos, que traduzem em 420 páginas e mais de 1.000 imagens selecionadas – em meio a outras tantas centenas que visitamos – a vida de famílias operárias, originárias principalmente das levas de imigrantes que ao Brasil aportaram e seus descendentes. No centro de cada um dos volumes, a fábrica e dois times de futebol que através das décadas estão interligados a essas comunidades.

O primeiro volume com 200 páginas reviveu a história da Vila Maria Zélia, marco da relação entre a cidade, os operários e a instalação da indústria têxtil na capital, através da moderníssima fábrica de Jorge Luiz Gustavo Street em 1917, instalada no distante bairro do Belenzinho, dando origem à famosa “Vila”, como é carinhosamente conhecida pelos orgulhosos moradores – muitos dos quais herdaram dos pais, tios e avós as casas construídas por Street, a fim de receber os operários e instalar os mestres do ofício em sua maioria italianos. Sob seu incentivo também foi criado um time de futebol. Afinal, era moda entre os grandes empresários ter participação no esporte que mais crescia no mundo. Suas iniciativas e pensamentos mudaram a relação entre patrões e empregados. Com o título “Vila Maria Zélia Uma Ilha na Pauliceia – 100 anos de História, Convivência, Amor e Emoção – 1917 - 2017”, o livro traz o prefácio do juiz de Direito, Ary Casagrande, que cresceu no lugar. Seu pai foi presidente e incentivador durante 25 anos do Clube Atlético Recreativo Maria Zélia – que revelou Luizinho, Milton Pimentel, Roberto Belangero e Colombo ao Corinthians, entre outros craques do futebol brasileiro. A abertura do capítulo “Fábrica Maria Zélia”, foi escrita por dona Celina Monteiro, neta de Zélia Frias Street e Jorge Street. Ela nos revelou fatos históricos inéditos e frases do industrial, como: “Sem minha mulher, a Maria Zélia não existiria”.

Ao mesmo tempo, coincidência incrível, foi ter tido a chance de nos embrenharmos a desvendar a história de um dos clubes mais antigos da várzea paulistana e queridos dos jogadores profissionais que a São Paulo chegaram ou aqui nasceram, o União dos Operários Futebol Clube (UOFC), onde por sinal fomos apresentados à diretoria da Sociedade Amigos da Vila Maria Zélia. Portanto, foi no UOFC, vizinho da Vila, que tudo começou em maio de 2016. O mesmo braço do Rio Tietê que servia aos picnics da Vila e aos treinos de regatas dos remadores corintianos, passava nos fundos da área onde muitos anos depois, já aterrado e canalizado, seria construída a sede do Operário, como é conhecido. A conclusão do livro “União dos Operários F.C. – Cem anos de história no Futebol – 1917 - 2017”, aconteceu somente em dezembro de 2017. Com prefácio do jornalista, apresentador e comentarista esportivo José Eduardo Savóia, o lançamento acontece no dia 22 de fevereiro de 2018, com a presença de craques como Ademir da Guia, Luizão, Vampeta, Nilson, Eli, Lima e uma gama de jogadores do cenário esportivo nacional. O livro retrata a trajetória do clube, que passa pelo início do futebol no Brasil, as dificuldades com as frequentes perdas dos campos onde jogou, até chegarmos à esplêndida sede que ocupa atualmente. Antes, fora um descampado. Foi preciso aterrar o local onde ainda se formavam as lagoas do Tietê, que ainda não havia sido totalmente retificado, para com as próprias mãos construírem o primeiro campo de futebol, que no futuro próximo teria o sentido invertido – para ganhar espaço e erguer novas edificações. Hoje, o Operário conta com um dos melhores gramados de São Paulo, segundo quem entende de futebol: os craques do futebol brasileiro que por lá sempre estão.

Ao leitor é possível fazer uma relação com os dois livros e perceber como se comportavam as pessoas, entender como transcorria a vida naquela parte da cidade, o Belenzinho, que na verdade resumia em parte a assim chamada periferia da própria São Paulo, naqueles idos do final do século XIX e início do século XX, quando e onde se instalavam as indústrias, criavam-se oportunidades aos recém-chegados imigrantes. A dura atividade nas fábricas, no comércio ou na prestação de serviços – muitos dos quais foram introduzidos nessa época, trazidos pelos estrangeiros – era compensado com as partidas de futebol aos finais de semana, os bailes e a vida relativamente pacata na futura metrópole que rapidamente se desenhava no Centro da Pauliceia, enquanto a própria história dos personagens desses dois livros era vivida a uma considerável distância, ainda habitando lugares pitorescos banhados pelos riachos que cruzavam a cidade, os passeios de barco, pescarias, regatas...

Essa experiência nos conduziu definitivamente ao centro de um veio literário que já ocupávamos por vocação e amor às letras da História. Agora oferecemos nossa experiência a todos que dela possam requerer.